Nas montanhas Rochosas
canadianas formou-se há 530 milhões de anos o Xisto de Burgess, onde jazem os restos de um mar antigo que
albergou mais seres vivos do que todos os que povoam actualmente os nossos
oceanos - criaturas inacreditavelmente bem conservadas, como o estranho Opabinia,
com cinco olhos, ou o Sidneyia, cujo tubo digestivo revela
ainda a última refeição que tomou. A sua descoberta data do início do século
por Charles Walcott
Este xisto reveste-se de grande importância
para a paleontologia porque data de um tempo em que a vida na Terra passou por
modificações significativas. Esse acontecimento é conhecido hoje pela expressão,
“explosão câmbrica” - (explosão
de formas de vida, entenda-se). A explosão Câmbrica foi o
aparecimento relativamente rápido, (em termos geológicos), dos
filos mais importantes à cerca de 530 m.a. atrás,
conforme encontrado no registo
fóssil. Este surgimento foi acompanhado por uma grande
diversificação de outras formas de vida, incluindo animais,
fitoplâncton,
e calcimicróbios. Até à cerca
de 580 m.a. a maioria dos organismos eram simples, compostos de células
individuais ou ocasionalmente organizadas em colónias.
Nos 70 ou 80 m.a. seguintes a taxa de evolução
foi acelerada em uma ordem de magnitude (conforme definido em termos
da relação entre extinção e origem de espécies) e a diversidade da vida começou
a parecer-se com a atual. É neste período que ficam definidos os grandes grupos
de seres vivos que hão-de chegar até ao presente .
Este acontecimento da explosão câmbrica, foi alvo da atenção (sempre atenta) de Charles Darwin, que lhe dedicou uma secção inteira d´A Origem das espécies. A grande variedade de organismos marinhos nessa época sugere que já se tivesse desenvolvido uma cadeia alimentar estruturada, semelhante à que se encontra nos modernos ecossistemas marinhos. Aliás, esta fauna caracteriza-se por apresentar uma variedade maior de organismo do que a encontrada nos dias de hoje, nomeadamente no que se refere a diversidade de grupos anatómicos de seres vivos. Nos fósseis encontrados em Burgess encontram-se alguns cujos "planos corporais" não encaixam em nenhums dos grandes grupos de seres vivos, ou então, apresentam características que se identificam simultaneamente com dois grupos.
Citando Stephen Jay Gold, no seu livro "A vida é bela" - "Como principal atração, o xisto de Burgess ensina-nos uma incrível diferença entre a vida passada e a presente: com muito menos espécies, o xisto de Burgess contém uma disparidade de planos anatómicos que excede em muito o conjunto existente atualmente em todo o mundo".
Reconstituição do Marrella
Fóssil de Marrella - trata-se um fóssil de um artrópode semelhante a um camarão (embora apresente características corporais distintas das dos crustáceos modernos)
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